O mediador da liberdade
O
rio tem a eterna e cigana profissão *
De
ir embora...
E
despedir-se,
E
repetir-se,
E
esquecer-(se)
Para
existir e SER
O
existencialista Jean-Paul Sartre disse que escrever é uma empreitada, uma vez
que o escritor deve engajar-se inteiramente nas suas obras, e não com uma
passividade abjeta mas sim como uma
escolha, com total empenho em viver o que constitui cada um de nós.
Norberto
Pontel, 1945-2026, Professor de Língua Portuguesa, Poeta, Escritor, Militante
político, Historiador e ex-seminarista foi um filósofo existencialista. Nascido no Rio Grande Sul,
imigrou para o oeste catarinense como
muitos dos moradores desta região. De família de agricultores dos três estados
do sul que tinha como opção o filho estudar
num seminário pois esta era uma ( muitas vezes a única) das opções dos jovens,
anos de 1960, ampliar sua vida além da
região.
Na
livre prisão
do leito
o
Rio é momento
que
se soma e se some...
É
mãe
Que
amamenta as margens,
Poetiza
as vargens...
Com
43 anos Norberto Pontel fez uma pós-graduação em Florianópolis, SC. E essa
pós-graduação fez com que ele desenvolvesse um sonho antigo que era escrever um livro sobre sua gente. E dessa
atitude surge o primeiro livro “Sabor de Vida” impulsionando-o para escrever os
vinte e quatro livros que vieram depois.
Em
2003 com o livro “Nas barrancas do rio Uruguai’ recebeu o prêmio estadual de
literatura Brasileira pela Academia Catarinense de letras.
Suas
abordagens partem do gênero romântico passando pela crítica social. Abordou
questões como a reforma agrária e o meio ambiente. Norberto Pontel utilizou da linguagem regional em seus
livros, falando da região Oeste
catarinense, um recorte em suas histórias.
Compositor de cantos, rimas e palavras de ordem nas inúmeras passeatas que
participou em prol de sua categoria de Professor.
A
profissão do rio é
-no
depois da viagem-
Morrer
num mar de sal,
E
ressuscitar, nu,
-nuvem
nua!
E repetir-se
E
ir embora...
O
escritor é um mediador por excelência e o seu engajamento é a mediação cujo
objetivo é desvendar o homem para o próprio homem disse Jean-Paul Sartre.
Conheci-o,
na década de 1990, em reuniões da ACHE (Associação Chapecoense de Escritores)
Era um homem silencioso. Chegava nas reuniões quieto, participava com a calma
que o caracterizava e ia embora na mesma quietude. Foi Professor dos meus
filhos.
Além de escrever romances participou de Antologias poéticas de contos e crônicas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
1995-
Apresentação da ACHE- Associação Chapecoense de Escritores da V Antologia.
*Ache: Bodas de Prata. 25 anos de Literatura. 12ª Antologia.
P. 106. 2011
Comentários
Postar um comentário